14 de dezembro de 2019

Ninfo em novela, Deborah Evelyn diz que sexo é ‘importantíssimo’, mas recusa relação aberta

O problema de relacionamento é algo coincidentemente comum entre os personagens que Evelyn interpretou em sua carreira, desde Ruth em "Vida Nova" (1988)


Por Folhapress Publicado 09/08/2019
Divulgação

De segundas a sábados, em horário nobre na rede Globo, Deborah Evelyn é Lyris, uma ninfomaníaca casada com um marido que a evita, o que a faz buscar prazer com outros personagens da novela “A Dona do Pedaço”. Na vida real, a história é outra: a atriz não quer nem saber de relacionamento aberto.
“Os acordos que podem existir entre um casal são infinitos: não necessariamente o casal transar com outras pessoas é motivo para a separação”, diz a atriz em entrevista ao F5. “Mas eu, Deborah, a princípio não me sinto confortável em uma situação onde existam outros tipos de relacionamentos – tanto da outra parte quanto da minha. Não vejo muita graça, não me atrai e nem me dá prazer. A Lyris encontrou esse caminho e para ela foi ótimo, mas não seria algo para mim”.
O sexo, diz ela, é algo “importantíssimo” em sua vida. A medida que envelhece, ela vai conhecendo melhor os seus desejos e “lugares de prazer”. A ninfomania acabou nunca sendo presente em sua vida pessoal, mas ela diz que entende a busca por prazer de Lyris.

“Tem gente que gosta mais de sexo, tem gente que gosta menos, mas não podemos julgar. É muito particular. Sexo, quando é consentido e dá prazer, é algo muito bom. Por que vou achar que algo está errado, se faz alguém feliz e não interfere na vida de ninguém?”
Desapegada das redes sociais, Evelyn diz que tem recebido apenas feedbacks positivos nas ruas e apoio às peripécias de sua personagem, o que ela acredita que aconteça porque Lyris é “bastante humana e traz questões muito atuais”. Há, inclusive, quem a chame para “comer um bolo de limão em casa” – uma referência às cenas em que a personagem se relaciona com um entregador de bolos.

Mesmo assim, ela não ignora o fato de que existem comentários negativos sobre o empoderamento de sua personagem. “Ainda existe muito machista no Brasil, infelizmente. […] Mas a vida é nossa. E ela passa. Só nós temos o poder e o direito de fazer dela uma vida interessante para nós mesmas. Não podemos culpar o outro pela nossa felicidade ou infelicidade. Se você está infeliz na relação, a responsabilidade é sua de sair dela. Saia, mude ou veja o que você pode fazer para ficar feliz”.
A atriz espera que a novela de Walcyr Carrasco possa ajudar os espectadores a driblarem seus preconceitos em relação às mulheres, à homossexualidade e à transexualidade, assuntos que ela considera importantes.

PERSONAGEM FORTE
O problema de relacionamento é algo coincidentemente comum entre os personagens que Evelyn interpretou em sua carreira, desde Ruth em “Vida Nova” (1988). “Nunca acho um trabalho fácil, é sempre um desafio. Mas uma coisa que eu acho que a Lyris tem de bom é que ela, apesar de ter problemas de relações, não dramatiza as coisas de uma maneira absurda. Tem os momentos dramáticos que eu adoro, mas também tem um lado alegre e solar”.

Apaixonada pela trama da nova novela, Evelyn diz que tem “adorado viver Lyris” por ser uma personagem muito rica. “Ela tem várias camadas, vários caminhos, o que eu acho interessante porque é algo muito humano. Ela vai atrás dos sonhos dela, é forte na vida, apesar de viver em um casamento em que ela sempre foi mais dependente. É isso que a faz ser tão reconhecida pelo público”.
Por conta da história, a atriz acaba tendo que gravar, com certa frequência, sequências de cenas vestindo apenas lingerie. O momento não é dos mais agradáveis -Evelyn diz que cenas assim não são apenas desconfortáveis, mas também difíceis de serem feitas, uma vez que é preciso passar intimidade para o espectador ao mesmo tempo que divide o set de gravação com dezenas de pessoas.
“Não é confortável, mas óbvio que em algumas cenas eu até me preocupo em dar uma ‘malhadinha’ e chegar inteira”, brinca. “Tenho uma preocupação com o que é gravado, porque quero dar o melhor em todos os sentidos, no físico e na atuação. A Lyris é uma mulher vaidosa, então isso cabe a ela.”
Ela garante que está completamente inserida em sua personagem e que sempre anseia em ler o próximo roteiro da novela – tanto o dela, quanto os dos demais núcleos da narrativa.
Olhando para o futuro da novela, a atriz diz enxergar um final positivo tanto para a sua personagem quanto para o de seu par – mas separados. “Novela é uma obra aberta, então é um pouco como a vida. A gente não sabe o que vai acontecer. De uma hora para a outra, tudo pode acontecer.” Ao parceiro de cena, Malvino Salvador, ela não poupa elogios: diz que é um colega “delicioso de se trabalhar, comprometido e que chega com novas ideias sempre”.

Após 25 de novembro, quando a novela está prevista para acabar segundo Evelyn, a intenção é tirar férias na Alemanha, onde mora seu marido, o arquiteto Detlev Schneider. Sem planos para novos projetos, ela diz que tem vontade de voltar a fazer teatro, um trabalho de período menor e que a permite aproveitar hobbies, como um grupo de leitura de peças de Shakespeare que ela frequentava antes da novela. Já tem até um texto em mãos, que ela está avaliando se fará porque “a situação cultural do país está difícil”.
“Não vejo perspectiva de melhora, mas isso não significa que temos que desistir de buscar isso. Há várias peças em cartaz, mas é uma luta. Atualmente, o Brasil não é um país que investe em cultura ou que acha que cultura é importante. Falta as pessoas que tem o poder para mudar isso acreditarem que cultura é importante, porque é o espelho de um povo, ensina às pessoas e salva elas”.