18 de novembro de 2019

Espremidos entre Nintendo, PS4 e Xbox, jogos nacionais atraem curiosos em evento

A Brasil Game Show é uma feira de videogame que aconteceu em São Paulo entre quarta (9) e domingo (13)


Por Folhapress Publicado 15/10/2019
Divulgação/Brasil Game Show

Lá fora, os termômetros beiravam os 35ºC. Refugiando-se do calor e do cheiro do Tietê dentro do centro de convenções, uma multidão enfrentava longas filas para testar jogos inéditos ou recém-lançados pelas maiores fabricantes de games do mundo ou participar de outras ações de merchandising –pelas expressões faciais, não pareciam estar achando ruim.

A Brasil Game Show é uma feira de videogame que aconteceu em São Paulo entre quarta (9) e domingo (13). Estavam lá PlayStation, Xbox e Nintendo, além de Facebook, Youtube, a Epic Games, desenvolvedora de Fortnite, e uma porção de varejistas. O evento teve a presença de Hidetaka Miyazaki, criador de “Dark Souls”, e do trio de atores que interpretam os protagonistas de “GTA V”, Steven Ogg, Shawn Fonteno e Ned Luke.

Para tirar foto com esses três últimos, chegou a ser cobrado R$ 200 no estande deles. A organização diz que a ação fugia da alçada deles e que nos dias seguintes, autógrafos e fotos com os atores puderam. A quantidade de filas e a lentidão para se transitar pelos corredores corroboram a estimativa da organização de que pelo menos 325 mil pessoas estiveram ali durante os cinco dias de evento, superando o ano anterior.

Mais ao fundo do pavilhão, na esquina da rua G com a avenida 7, dispunham-se, lado a lado, expositores de games independentes – o espaço é grande, e os corredores ganham designação de vias. Eram 34 estúdios brasileiros que apresentavam suas criações, cujos temas iam da psicodelia ao tiroteio.

Por essa viela, aventou-se que o espaço dedicado aos indies teria sido inicialmente planejado para ser bem maior, mas não houve procura suficiente por parte dos estúdios independentes. Questionado sobre o rumor, o fundador da BGS, Marcelo Tavares, disse que a área para os independentes brasileiros “poderia sim ser maior”, mas que o preenchimento do espaço é algo que “depende dos estúdios”.

A impressão de Saulo Camarotti, CEO da Behold Studios, é de que “a gente tá num canto aqui, nesse lugar que não servia para nada e aí botaram a gente aqui. Eu acho caro o a gente pagou”. O estúdio brasiliense, com dez anos de fundação, é um dos mais robustos dali. Segundo eles, o valor pago foi de R$ 3.500 por um espaço de 4 metros quadrados.

Para o fundador da BGS, é um valor justo que cobre custos como energia e o alvará de funcionamento do estande. “Uma empresa que não consegue ter R$ 2.000 não é uma empresa”, diz. “Eu gosto de vir todos os anos. Eu até brinco, falo que é por questão filantrópica. Eu venho não porque eu quero ganhar dinheiro, de jeito nenhum. Eu venho porque eu quero que o brasileiro saiba que tem produção nacional”, diz Camarotti.

Uma impressão menos cética: “a BGS tá pegando fogo”. Quem diz isso é Pedro Bastos, da Massive Work, de Natal. Seu jogo, “Dolmen”, é inspirado na em “Dark Souls”, de Hidetaka Miyazaki, que estava no evento. “A intérprete dele veio diretamente me pedir pra conversar com ele”, diz Bastos.

Grande parte dos expositores indie é de jovens, alguns deles ainda universitários ou desenvolvedores no início de carreira, que conciliam um emprego em horário comercial com o desenvolvimento de seus próprios jogos no tempo livre, bancados com recursos próprios. As empresas costumam ser MEI (Microempreendedor Individual) e têm em geral pouco tempo de existência – em alguns casos, meses.

O CEO da BGS afirma que a procura dos patrocinadores pelo evento foi maior do que se esperava. Ele diz que o investimento deste ano foi três vezes maior do que o de 2018, o que, segundo o fundador, os coloca na “briga das três maiores [feiras de game] do mundo”.

De fato, a BGS não se posiciona como uma feira de jogos independentes brasileiros –há outros eventos voltados para essa seara. Trata-se de um evento voltado para os consumidores finais. Em clima de parque de diversões, visitantes acabavam trombando com os indies. “A BGS pensa a área indie assim como pensa as outras áreas. E eles não tem o mesmo poder que os outros [grandes players do mercado]”, diz Camarotti. “A gente é tudo quebradão.”