17 de novembro de 2019

Síndrome do Pânico tem origem esclarecida pelas neurociências

Doença afeta aproximadamente entre 2% a 4% da população mundial, com pico entre os 20 e 24 anos de idade


Por Redação Educadora Publicado 28/06/2019

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde – OMS, a Síndrome do Pânico afeta aproximadamente entre 2% a 4% da população mundial, com pico entre os 20 e 24 anos de idade, sendo que normalmente acomete pessoas acima dos 14 anos. “Ou seja, é bastante rara na terceira idade”, explica o médico psiquiatra Cyro Masci

O especialista, autor do livro Síndrome do Pânico: Psiquiatria com abordagem integrativa, levanta uma questão: “Por que esse transtorno, cujas crises durante o sono podem ocorrer com 40% dos pacientes, aparece em determinadas pessoas e em outras não?”. De acordo com ele, o desenvolvimento das neurociências permitiu uma compreensão maior do que acontece no pânico.

Segundo Masci, a Síndrome do Pânico, ou Transtorno de Pânico, é o resultado de um desequilíbrio em áreas do cérebro responsáveis por reações automáticas de sobrevivência. “Tem como característica uma sensação de medo intenso, um pavor imenso, acompanhado de sintomas corporais bastante incômodos.”

O problema, de acordo com Cyro Masci, também pode vir acompanhado de outros transtornos psiquiátricos, como a depressão, a ansiedade generalizada, as fobias e até mesmo com dependência química, já que pode ocorrer um aumento do consumo de álcool para tentar aliviar os sintomas.

O médico psiquiatra afirma ainda que nosso cérebro possui regiões para detectar e reagir a perigos. “E o que a neurociência descobriu é que, no Transtorno de Pânico, essas regiões emitem sinais falsos, gerando informação equivocada de que há um grande perigo acontecendo”, explica.

E existem bons motivos para o cérebro possuir tais características. Masci lembra que essa parte do cérebro surgiu durante a evolução humana para atender às necessidades básicas de sobrevivência, e exigia poucas funções essenciais. “Por exemplo, colocar o corpo em movimento para ir em busca de alimento, e também disparar um alarme de emergência diante de perigos no ambiente, como fugir de outros animais para não virar comida”.

A Síndrome do Pânico seria, assim, o resultado dessas regiões que nos alertam a perigos. “Esse resultado é um medo intenso, um pavor enorme, paralisante, como se a morte fosse acontecer a qualquer momento”, acrescenta Cyro Masci.

Uma característica que distingue esse problema de outros transtornos é que são sintomas recorrentes. “A crise acontece com certa frequência, e não de uma única vez ou esporadicamente”. Outra característica da doença é que esse pavor aparece em situações específicas em mais ou menos metade das vezes. “Na outra metade surge ‘do nada’. A pessoa está muito bem, ou está simplesmente dormindo, e começa a ter essa reação”.

Encurralada

As situações específicas que desencadeiam a crise de pânico também são explicadas pela neurociência, segundo Cyro Masci. “Trazemos a informação no cérebro de que regiões de difícil saída são perigosas. Assim, as crises são muitas vezes relacionadas a situações em que a pessoa está de algum modo encurralada, sem um lugar fácil para escapar, como estar no trânsito, dentro de um metrô, teatro, cinema ou dentro de um avião, principalmente quando as portas se fecham”.

O médico destaca a importância do tratamento psiquiátrico adequado. “Sem um acompanhamento correto, dificilmente a cura da Síndrome do Pânico evolui de maneira satisfatória. Há poucas expectativas de cura espontânea”. Tal transtorno psiquiátrico compromete de maneira bastante séria a vida social, profissional e de relacionamentos afetivos. “Esse comprometimento leva, com frequência, ao que chamamos de desabilitação, com perda importante da qualidade de vida, autonomia e capacidade de traçar seu próprio caminho”, explica Masci.

A boa notícia é que existem tratamentos eficazes, sendo que o objetivo, segundo o psiquiatra, é modular, ou seja, regular as áreas do cérebro que ficaram desreguladas. “Não se trata, portanto, de simplesmente eliminar os sintomas, mas sim de interferir nessas áreas do cérebro para que voltem a responder de maneira adequada a perigos realmente existentes”.