15 de novembro de 2019

‘Olavo está na Idade Média’, diz Fernando Haddad

O arcaísmo do governo, para Haddad, é gritante em quatro pastas do governo: Direitos Humanos, Meio Ambiente, Relações Exteriores e Educação.


Por Folhapress Publicado 09/06/2019

O apego a Olavo de Carvalho, alguém que “está na Idade Média”, é um bom exemplo da essência do bolsonarismo, segundo Fernando Haddad (PT): “Essa coisa retrógrada, pré-moderna”. Seria inclusive uma areia movediça até para o liberalismo que, num primeiro momento, foi atribuído ao governo de Jair Bolsonaro (PSL), o homem que derrotou o petista na disputa presidencial.

“Óbvio que vivi o luto de 2018”, disse Haddad neste sábado (8), no Festival Todavia, em São Paulo, organizado em torno do mote “Apocalipse?”.

Sua performance eleitoral pode não ter sido o fim do mundo, mas que doeu, doeu, admitiu o ex-prefeito de São Paulo e professor universitário. “Só senti [a derrota] em função de pra quem eu perdi. Não por perder a eleição. Sabe… Pelo amor de Deus”, disse, arrancando risos da plateia no Centro Cultural São Paulo.

O arcaísmo do governo, para Haddad, é gritante em quatro pastas do governo: Direitos Humanos, Meio Ambiente, Relações Exteriores e Educação (pasta que comandou nas gestões Lula e Dilma).

“Olavo está nessa”, afirmou sobre a onda retrógrada que vê tomar o país. “Ele é pré-moderno, não tá evocando autores liberais como John Locke, ele tá na Idade Média.”
Haddad se disse um cara bem-humorado, que segue o escritor preferido da família Bolsonaro para se divertir. Dia desses, viu uma série de tuítes em que Olavo defendeu que a teoria de que nosso planeta é plano, a qual não conhecia muito, não pode ser descartada por completo.

“Não sei se a Terra é plana, mas sei que globista, em geral, é louco. O mais assanhado acaba de me dizer que uma linha enrolada em uma bola continua reta”, escreveu nesta semana.

O guru do bolsonarismo “fala de terraplanismo com uma desenvoltura…”, disse, em tom irônico, o ex-prefeito.

Em debate mediado por Fernanda Mena, repórter especial da Folha de S.Paulo, Haddad também falou sobre a dificuldade da esquerda em dialogar com alguns segmentos, como os evangélicos pentecostais e neopentecostais.

Para Haddad, “a rede social não é social”, porque as pessoas tendem a se fechar em bolhas. “As pessoas estão atomizadas pela tecnologia” e se reúnem onde não existe espaço para o contraditório, afirmou.

“Todo mundo se sente confortável [nas redes]. Por mais louco que você seja, vai achar alguém igual a você.”