18 de janeiro de 2020

Após investigação, gestão Covas demite fiscal milionário da Prefeitura de SP

Com salário de R$ 11 mil, o agente vistor Jorge Tupynambá Telles Ferreira acumulou um patrimônio na casa de R$ 12 milhões, com quase 40 imóveis em seu nome


Por Folhapress Publicado 15/01/2020
Divulgação/Prefeitura de São Paulo

A gestão Bruno Covas (PSDB) demitiu nesta quarta-feira (15) um fiscal da Prefeitura de São Paulo após finalizar um inquérito patrimonial.

Com salário de R$ 11 mil, o agente vistor Jorge Tupynambá Telles Ferreira acumulou um patrimônio na casa de R$ 12 milhões, com quase 40 imóveis em seu nome ou no de uma empresa ligada a ele, segundo levantamento feito pela Folha de S.Paulo publicado em agosto do ano passado.

Além disso, ele foi acusado por um comerciante de cobrar cerca de R$ 100 mil para não atrapalhar obras de um petshop na zona sul.
A demissão de Tupynambá foi publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira (15). Ele havia sido suspenso preventivamente no ano passado.

Além da questão patrimonial, a prefeitura ainda abriu inquérito para verificar denúncia de cobrança de propina. A reportagem apurou que um homem procurou a prefeitura para denunciar estar sendo vítima de Tupynambá.

O fiscal trabalhava na Subprefeitura da Vila Mariana, bairro nobre na zona sul, na época do episódio descrito. Um coordenador de obras da subprefeitura havia saído, e Tupynambá assumiu o posto de chefia.

Na ocasião, segundo o relato do denunciante, ele teria dito ao homem que “tudo mudou” após ter assumido o posto e insistido na cobrança do valor, pessoalmente e por telefone.

Fiscal da prefeitura desde 1989, começou a adquirir bens a partir nos anos 1990 e decolou no mundo dos imóveis nos últimos dez anos, de acordo com registros de cartório analisados pela reportagem e processos judiciais.

Apenas entre 2008 e 2015, ele declarou ter pago R$ 4,4 milhões em 17 imóveis, o equivalente a 31 anos de seu salário líquido. Os valores declarados estão abaixo da cotação do mercado, hoje em torno de R$ 7 milhões.

OUTRO LADO
Na ocasião da publicação da reportagem, Tupynambá afirmou à Folha de S.Paulo que é alvo de processo de sindicância patrimonial em curso na prefeitura, “no qual foram prestados todos os esclarecimentos a quem de direito”.

“Não tendo o processo finalizado, qualquer atribuição de ilícito é mera suposição”, disse, em nota, na ocasião.

O fiscal afirmou que todo seu patrimônio está declarado na Receita Federal e também no sistema patrimonial da prefeitura.

A respeito da denúncia de recebimento de propina, afirmou desconhecer “qualquer denúncia, de qualquer tipo sobre a minha atuação profissional enquanto funcionário da Subprefeitura Jabaquara ou de qualquer outro departamento em que trabalhei”.

Nesta quarta-feira (15), ele não foi localizado.

SERVIDORES MILIONÁRIOS REVELADOS PELA FOLHA DE S.PAULO
Hussain Aref Saab
Acumulou pelo menos 106 imóveis de 2005 a 2012, sob suspeita de cobrar propinas no setor de aprovação de edificações da Secretaria Municipal de Habitação

José Rodrigo de Freitas
Conhecido como “rei dos fiscais”, o ex-auditor fiscal acumulou 55 imóveis. Ele acabou condenado a 54 anos de prisão pela cobrança de propina em uma universidade

Hugo Berni
Então responsável por 28 unidades prisionais do governo de São Paulo, Hugo Berni Neto, construiu casas em condomínios de alto padrão de Sorocaba (interior) avaliadas em mais de R$ 7 milhões, equivalentes a 32 anos de seu salário

Roberto de Faria Torres
Suspeito de cobrar propina durante uma CPI, ele adquiriu 19 imóveis nos últimos cinco anos -entre eles, uma mansão com 23 cômodos