24 de outubro de 2019

Alimentação de Bolsonaro evolui para sopa, e médico vê ‘bom sinal’

Até então, Bolsonaro era alimentado apenas por nutrição parenteral endovenosa (pelas veias) e a dieta líquida (chá, gelatina e caldo ralo)


Por Redação Educadora Publicado 14/09/2019

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) passará a se alimentar com uma dieta cremosa (com papinhas e sopas mais espessas) já no jantar deste sábado (14), segundo o médico Antônio Macedo, responsável pela cirurgia pela qual passou o presidente.

A decisão foi tomada após avaliação médica no fim desta tarde, o que mostra evolução na recuperação do presidente. Na manhã deste sábado, o médico afirmou que a nova fase na alimentação deveria ter início nesta noite ou na manhã de domingo (15).

Até então, Bolsonaro era alimentado apenas por nutrição parenteral endovenosa (pelas veias) e a dieta líquida (chá, gelatina e caldo ralo).

 

Segundo Macedo, o presidente ainda deve receber 2.000 calorias por dia pela nutrição endovenosa, que será reduzida aos poucos se o intestino receber bem a “sopinha de mandioquinha de 200 ml” inserida a partir desta noite.

“Se ele aceitar bem, é um bom sinal”, disse Macedo, sobre a expectativa de alta. “A [dieta] cremosa já nutre a pessoa.”

As visitas continuam restritas e não há previsão de alta até o momento, mas a estimativa ainda é a de que o presidente seja liberado até terça-feira (17), conforme a evolução na alimentação.

O processo de reintrodução dos líquidos na dieta tem que ser feito aos poucos para evitar mal-estar, vômitos e distensão (inchaço) abdominal.

Ainda de acordo com os médicos, o paciente está sem febre e sem dor e dá sinais de melhora dos movimentos intestinais.

Bolsonaro também faz sessões de fisioterapia respiratória e motora, que incluem caminhadas no corredor do hospital.

Nesta sexta-feira (13), os médicos retiraram a sonda nasogástrica do presidente, que ficava conectada ao seu nariz e ia até o estômago. O tubo, colocado na terça (10), tinha a função de ajudar na saída da grande quantidade de ar que se acumulou no estômago e no intestino do paciente.

Com a retirada da sonda, Bolsonaro também voltou a receber a dieta líquida, suspensa na terça e substituída pela nutrição endovenosa (pelas veias).
Bolsonaro está internado no Hospital Vila Nova Star, na região sul de São Paulo, onde foi submetido no domingo (8) à quarta cirurgia desde que sofreu uma facada durante um ato de campanha em setembro de 2018.

O presidente caminhou neste sábado e está bem-humorado, de acordo com o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros. “Hoje o doutor Macedo teve que dar um puxão de orelha porque o presidente queria ir ao jogo do Palmeiras. Ele disse que tem um segurança dele que é um bom porta-bandeira e poderia segurar o suporte de alimentação”, afirmou o porta-voz, em tom de brincadeira.

À tarde, o presidente caminhou e recebeu a visita de irmã, cunhado e sobrinho. “Ele está superbem”, disse Rêgo Barros, em conversa com os jornalistas.
O presidente está acompanhado da mulher, Michelle, do filho Carlos e de assessores próximos. No começo da noite, Carlos Bolsonaro tuitou uma foto com o pai, assistindo a um jogo de futebol, e afirmou que está “tudo indo muito bem”.

Segundo o porta-voz, Bolsonaro não tem conversado com ministros. “Ele pega no celular muito pouco, diferentemente da outra cirurgia.”
No fim da tarde, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, passou pelo hospital, como já havia feito na sexta e no dia da cirurgia. A passagem do ministro foi breve –durou menos de 15 minutos–, e ele saiu sem responder aos jornalistas se esteve com o presidente.

O presidente ficará fora do cargo mais tempo do que previa, atendendo a orientações médicas. A previsão inicial era que ele reassumisse a cadeira na sexta-feira, mas a equipe sugeriu período mais longo de descanso. O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) ocupa o posto até terça.

Na tentativa de mostrar que está bem de saúde, Bolsonaro fez na noite de quinta-feira (12) uma live para as redes sociais do quarto do hospital onde está internado.

Usando roupa hospitalar e a sonda nasogástrica, ele demonstrou sinais de cansaço na voz e anunciou que, por recomendação médica, falaria pouco. Na transmissão online, que durou cerca de três minutos, o presidente enumerou o que classificou como “coisas boas para informar ao Brasil”.

Segundo a Presidência, Bolsonaro estará restabelecido a tempo de discursar na Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro, daqui a dez dias, em Nova Iorque.

No último domingo, os médicos corrigiram uma hérnia que surgiu na região do abdômen em decorrência das múltiplas incisões feitas no local nos últimos meses. A operação durou cinco horas e foi considerada bem-sucedida.

Logo após a cirurgia, Bolsonaro vestiu uma cinta elástica para pressionar o abdômen operado e ajudar no processo de recuperação.

O surgimento da chamada hérnia incisional já era esperado pelos médicos que atendem o presidente, em razão da série de intervenções feitas na região da barriga do paciente para tratar os danos provocados pelo ataque.

O então presidenciável foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira em 6 de setembro de 2018. O autor do crime está preso desde então.

A hérnia ocorreu porque, em virtude do enfraquecimento da parede muscular do abdômen, uma parte do intestino passou por uma cavidade desse tecido. As sucessivas incisões (cortes) na barriga fragilizaram o músculo, o que fez com que a porção do órgão e uma camada de gordura rompessem a membrana, criando uma saliência sob a pele.