20 de agosto de 2019

Professor de luta foi morto na frente do filho e andava 1h30 para dar aula

Jean Rodrigo Aldrovande, 39, morreu após ser baleado na última terça-feira (14), no Complexo do Alemão


Por Folhapress Publicado 16/05/2019

Jean Rodrigo Aldrovande, 39, morto após ser baleado na última terça-feira (14), no Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro, era visto como uma referência na comunidade. Professor de jiu-jitsu em um projeto social, ele tinha o sonho de tirar jovens carentes da criminalidade por meio do esporte, mas teve a meta interrompida após levar um tiro.

A versão dos familiares é que policiais entraram atirando na rua em que o atleta estava, e uma bala o atingiu na cabeça. Um outro rapaz, que frequentava a mesma academia, também foi atingido e levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas.

Um dos quatro filhos, que também era aluno de Jean Aldrovande, estava presente no momento dos disparos e viu o pai ser morto.

“Ele sempre foi um pai maravilhoso, um filho melhor ainda. Sempre foi amigo, conselheiro, fazia o bem sem olhar a quem, sempre estava disposto a ajudar. Ele era muito brincalhão, de tudo fazia piada e ria”, conta a irmã do atleta, Scarlat Aldrovande, em entrevista ao UOL Esporte.

“Ele já havia passado por situações difíceis na vida, mas venceu. Sempre amou a luta e tinha o sonho de ensinar para as pessoas carentes, para tirar os jovens da criminalidade. Ele conseguiu ajudar muitos.”

O sentimento da família é de revolta, principalmente com as autoridades do Rio de Janeiro. Scarlat Aldrovande chamou os policiais de “despreparados” e acredita que o culpado pela morte do irmão ficará impune.

“Fica a raiva, revolta e tristeza. Um bando de homens despreparados saem atirando em pessoas inocentes sem pensar que poderia ser o irmão deles ou algum familiar deles”, diz. “A maior revolta é saber que o imbecil vai sair impune e vida que segue. E quem sofre e chora somos nós.”

Nascido no Rio de Janeiro e morador do Complexo do Alemão durante a maior parte da vida, Jean Aldrovande mudou para o bairro de Vaz Lobo há pouco tempo. Ele, no entanto, sempre estava na comunidade em que foi criado, para dar aulas. Em muitas das vezes, o professor fazia o trajeto de casa ao trabalho a pé e levava cerca de 1h30min.

“Ele ia andando de Vaz Lobo para o Alemão só para dar aula. Sempre foi extremamente apaixonado por jiu-jitsu, o sonho dele era ser faixa preta. Quando ele trocou de faixa, me ligou todo feliz que agora faltava pouco para conseguir o objetivo”, afirma a irmã do atleta.

“A maior dor que existe é saber que não vou ver nunca mais meu irmão brincando, rindo. Nunca mais vou poder abraçá-lo”, conta Scarlat Aldrovande.

Procurada pelo UOL Esporte, a Polícia Militar do Rio de Janeiro afirmou que policiais foram informados sobre o caso e, ao chegarem ao local, “constataram o fato e já se depararam com uma manifestação na Estrada Adhemar Bebiano, tendo então atuado para estabilizar a região. A Delegacia de Homicídios foi acionada.”

O comando da CPP (Coordenadoria de Polícia Pacificadora) ouviu os policiais e iniciou procedimento para averiguar as circunstâncias das ocorrências.

VEJA NA ÍNTEGRA O COMUNICADO DA POLÍCIA MILITAR DO RIO DE JANEIRO:
“A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, na tarde de terça-feira (14/05), equipes das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Complexo do Alemão em patrulhamento pela Estrada Velha da Pavuna com a Rua Carmem Cinira, Inhaúma, foram alvo de disparos de arma de fogo realizados por dois criminosos em duas motos. Houve confronto. Após o terreno estabilizado, a guarnição procedeu para a delegacia para registrar o fato.

Posteriormente, outra equipe policial em patrulhamento foi informada que um homem estaria ferido no Hospital Estadual Getúlio Vargas e havia outro morto na Rua Canitar. Chegando ao local, os policiais constataram o fato e já se depararam com uma manifestação na Estrada Adhemar Bebiano, tendo então atuado para estabilizar a região. A Delegacia de Homicídios foi acionada.
O comando da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) ouviu os policiais e iniciou procedimento apuratório par a averiguar as circunstâncias das ocorrências.”