21 de julho de 2019

Pai de jovem morta com plástico filme enrolado na cabeça e meia na boca é preso

A jovem foi encontrada em seu quarto na casa onde morava com a família, com um plástico filme enrolado em sua cabeça e uma meia fixada em sua boca por de uma fita de tecido.


Por Redação Educadora Publicado 17/04/2019

As dúvidas envolvendo a morte de uma jovem de 18 anos em Curitiba podem ter sido solucionadas pela Polícia Civil do Paraná após quatro meses de mistério. Jaqueline Carvalho Gonçalves dos Santos, de 18 anos, foi encontrada em seu quarto na casa onde morava com a família, com um plástico filme enrolado em sua cabeça e uma meia fixada em sua boca por de uma fita de tecido, na manhã do dia 13 de dezembro de 2018.

A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) anunciou, nesta quarta-feira, que o pai dela, Samuel Rosa Gonçalves, de 44 anos, foi preso na residência da família, local em que aconteceu o crime. Considerado o principal suspeito do homicídio qualificado por asfixia, ele foi a pessoa que disse ter encontrado o corpo da filha. Se condenado, a pena pode ser de 12 a 30 anos de prisão.

O pai da jovem, sem antecedentes criminais, mostrou aos socorristas uma espécie de “capacete plástico” e uma meia, afirmando ter tirado rapidamente da cabeça de sua filha para tentar salvá-la, porém acreditava que ela mesma havia se asfixiado.

Os paramédicos relataram que ouviram o pai da vítima e outros membros da igreja que a família frequenta proferir diversas vezes frases do tipo “glória a Deus” junto ao corpo de Jaqueline.

O delegado Victor Menezes informou que havia divergências familiares, mas que a motivação do crime ainda não está clara.

— O que a gente pode apontar é que de fato existia um conflito familiar. Eu diria que era um conflito de gerações. Os pais eram mais conservadores e a menina tinha um comportamento mais moderno, mais da geração dela. E existiam conflitos familiares anteriores ao evento morte. Mas a gente não pode afirmar de forma categórica que o elemento religioso foi o estopim para que isso acontecesse. Existiam conflitos familiares fortes na família, que ficarão em sigilo. Essa é a hipótese investigatória que a gente tem — explicou Menezes.

Em depoimentos à época e também no mês de fevereiro deste ano, o pai de Jaqueline negou qualquer envolvimento com o fato, mas em ambas às vezes em que foi ouvido na delegacia contou que acordou de madrugada, por volta das 3h para orar e passou pelo quarto da filha, que segundo ele, estava dormindo — mesmo horário apontado pela perícia como sendo o da morte da jovem.

— Durante o inquérito policial, nós temos convergentes relatos de que ele estava na cena do crime e enrolou o plástico na cabeça da vítima, e ainda a perícia técnica, que diz que é impossível a vítima ter enrolado o plástico na própria cabeça — afirmou o delegado. — Foram várias camadas de filme plástico utilizadas para fazer a máscara mortuária da vítima. E pelas condições pessoais dela e características de maleabilidade e aderência, seria impossível que ela conseguisse fazer todas as voltas e até fazer o capacete e, assim, executar a própria morte.

A mãe, Vilma Carvalho dos Santos Gonçalves, foi ouvida na delegacia e liberada em seguida. Ela negou qualquer participação na morte da filha.

A hipótese de suicídio chegou a ser considerada, mas foi descartada pela polícia, que reuniu alguns dos elementos do fato, como laudo pericial e investigação da cena do crime.

As evidências constataram que, além de não haver probabilidade que alguém consiga enrolar um plástico filme em sua própria cabeça daquela forma, os materiais utilizados (plástico e tesoura) estavam guardados em seus respectivos armários na cozinha, que fica no andar inferior da casa. A perícia verificou que o “capacete plástico” formado tinha sete voltas do material.

À época, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Militar do estado foram acionados, mas a jovem já estava morta. Não havia sinais de luta no local, nem vestígio de algum arrombamento nas janelas e portas.

Segundo reportagens da imprensa local, Jaqueline vivia com os pais e o irmão no bairro Tatuquara, na capital paranaense. Eles tinham voltado de uma igreja evangélica na noite anterior do crime, por volta das 20h. No culto, a jovem costumava cantar músicas religiosas. Ela também participava de um grupo jovem e, segundo amigos, tinha medo de cometer pecados.

Ainda que a necropsia tenha indicado asfixia mecânica como a causa da morte dela, a polícia não pôde concluir imediatamente se o caso era um homicídio ou suicídio. Mais esclarecimentos serão comunicados pelos investigadores ainda nesta quarta-feira, conforme informou a assessoria de imprensa da Polícia Civil.

Por: Extra