17 de novembro de 2019

Menina abusada por pai de santo: “Eu falei ‘para que está doendo'”

Uma das vítimas que denunciou o pai de santo Oli Santos da Costa, de 62 anos, disse à polícia que começou a ser abusada sexualmente por ele quando tinha 14 anos


Por Redação Educadora Publicado 28/06/2019

Uma das vítimas que denunciou o pai de santo Oli Santos da Costa, de 62 anos, disse à polícia que começou a ser abusada sexualmente por ele quando tinha 14 anos. A adolescente contou ao G1 que foi forçada a ter relações sexuais com o suspeito mesmo após insistir que ele parasse.

A Polícia Civil de Goiás investiga uma série de denúncias feitas por mulheres que acusam o pai de santo de abuso sexual em Goiânia. Entre as possíveis vítimas que procuraram as delegacias entre terça (25) e quarta-feira (26), há menores de idade. Das 13 pessoas que o acusaram, duas são adolescentes.

“Eu falei assim: ‘Para, para que está doendo. Eu não quero mais’. E ele: ‘Não, a gente vai resolver. A gente tem de resolver isso juntos para você sentir alguma coisa, porque isso é necessário, é um tratamento’, disse uma das menores em entrevista.

Segundo a delegada adjunta da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Caroline Borges, a adolescente de 15 anos disse que os abusos aconteceram algumas vezes. “Ela relatou que, em certa, ocasião tentou fugir, pedia para parar, mas ele falava que fazia parte do tratamento espiritual. Para a gente, isso configura estupro”, informou Caroline.

A delegada também contou que as mulheres eram convencidas pelo pai de santo a não conversar entre elas, pois isso atrapalharia o tratamento. No entanto, ao perceberem que eram vítimas de abuso resolveram se unir e procurar à polícia.

“A outra adolescente tem 17 anos e contou que ele a acariciou e deu um beijo no rosto dela”, disse a delegada, informando que a menina teria repreendido o pai de santo sobre o que aconteceu, mas prometeu que não contaria nada para ninguém.

Investigações

As investigações para encontrar Oli Santos, que está desaparecido, seguem com a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam). No entanto, como duas das supostas vítimas são menores, a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) também entrou no caso.

De acordo com a delegada Mariana Costa, responsável pelo caso, 13 pessoas prestaram depoimento. No entanto, o número de denunciantes pode ser maior e chegar a 19. As jovens procuraram a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), do Centro e do Jardim Curitiba.

A delegada Cássia Sertão afirmou que dois inquéritos já foram abertos para apurar os supostos casos de crime de violação sexual mediante fraude. “As vítimas contaram que ele usava a prática libidinosa, ou não, como justificativa para a elevação espiritual e resolver os problemas delas. Todas são muito jovens e há relato de que ele praticou sexo oral em algumas e até relação sexual mesmo”, explicou.

A delegada, no entanto, informou que os casos relatados até então não são recentes, o que pode dificultar a realização de exames de corpo de delito. Nessa quarta-feira, uma equipe da Deam foi ao terreiro, situado no Balneário Meia Ponte, mas não encontrou ninguém. A delegada garante que vai intimá-lo em outro endereço.