20 de setembro de 2019

Catador que ajudou família baleada com 80 tiros será enterrado nesta sexta

Ele foi atingido por três tiros nas costas, na mesma ação em que foi morto também o músico Evaldo Rosa do Santos, de 46 anos, que levava a família para um chá de bebê.


Por Redação Educadora Publicado 19/04/2019
Reprodução (Redes Sociais)

O corpo do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo, de 27 anos, será enterrado às 14 horas desta sexta-feira, 19, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, zona norte do Rio. Macedo foi baleado ao tentar ajudar a família que teve o carro atingido por mais de 80 tiros disparados por militares do Exército no no dia 7 de abril, em Guadalupe, na zona norte.

Macedo morreu na manhã de quinta-feira, 18, no Hospital Carlos Chagas, onde estava internado. Ele foi atingido por três tiros nas costas, na mesma ação em que foi morto também o músico Evaldo Rosa do Santos, de 46 anos, que levava a família para um chá de bebê. Nove dos dez militares envolvidos na ação estão presos.

O catador chegou a tirou o filho de Evaldo de dentro do carro, antes de ser baleado. A mulher de Macedo, Daiana Horrara, de 27 anos, foi testemunha de toda a ação. Ela está grávida de 5 meses

“Quando ele viu a mulher correndo e a criança no banco de trás do carro, ele saiu correndo e tirou a criança lá de dentro”, disse Antonio Carlos Costa, da ONG Rio da Paz, que está dando apoio à família do catador e conversou com Daiana. “Ela me contou que ele era muito ligado em criança, por isso correu para salvá-la.”

Ainda segundo o relato de Daiana, depois de deixar a criança a salvo, Luciano voltou ao carro para tentar socorrer Evaldo. Foi então atingido pelas costas com três tiros. “Foi como se tivessem me quebrado os dois braços e as duas pernas”, comparou Daiane em depoimento a Antônio. “Ele era meu companheiro, meu amigo, fazia todas as minhas vontades, vivia beijando a minha barriga. Seu maior sonho era ver o rosto do filho.”

Luciano chegou a ser submetido a uma cirurgia que, segundo o advogado João Tancredo, que está atendendo à família, não teria sido autorizada pelos familiares.

Havia ainda uma determinação judicial para transferir Luciano a um hospital com maiores condições de atendimento, que não foi cumprida. O advogado afirmou que pretende entrar na Justiça pedindo a execução imediata das multas fixadas pelo não cumprimento da determinação judicial.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que “o paciente apresentava estado de saúde gravíssimo desde a entrada na unidade, o que impossibilitava sua transferência”. A nota sustenta ainda que “a secretaria reitera a confiança nos profissionais da unidade durante o caso e acredita que o atendimento precoce prestado ao paciente foi fator decisivo na busca para salvar a vida de Luciano, apesar da gravidade da lesão”.

 

Por: Estadão Conteúdo