12 de novembro de 2019

EUA enviam mais 100 crianças para centro de detenção

Centenas de migrantes menores de idade são mantidos em condições insalubres em centro de detenção na cidade de Clint


Por Estadão Conteúdo Publicado 26/06/2019

O Congresso americano aprovou na noite desta terça-feira, 25, um pacote de emergência de US$ 4,5 bilhões solicitado por funcionários do serviço de imigração, que tinham alertado que os abrigos destinados a acolher crianças imigrantes estão superlotados e precisavam de verba para lidar com a situação. O pacote ainda deve ser votado no Senado.

Um grupo de advogados que visitou um centro de detenção na cidade de Clint, na fronteira do Texas com o México advertiu que centenas de migrantes menores de idade permaneciam no local em condições insalubres, sem fraldas para bebês, sabão, roupa limpa, escovas de dentes nem comida adequada.

A controvérsia suscitada pelo relatório dos advogados fez com que os menores, que tinham sido separados dos adultos com os quais cruzaram a fronteira ou de mães adolescentes, fossem transferidos a outras instalações. No entanto, foi noticiado nesta quarta que mais de 100 crianças foram devolvidas a esse centro, sem que fossem divulgados mais detalhes.

John Sanders, chefe da Agência Alfandegária e de Proteção de Fronteira dos EUA (CBP, na sigla em inglês), pediu demissão nesta terça após as denúncias de tratamento degradante dado às crianças imigrantes detidas pela CBP na fronteira com o México.

O caso aumentou as críticas de ativistas de direitos de migrantes e de membros do Partido Democrata à política linha-dura do presidente republicano, Donald Trump, em relação à imigração. O presidente se manifestou nesta terça “muito preocupado” pelas condições dos centros de detenção dos imigrantes, mas destacou que elas são melhores do que na época de seu antecessor, Barack Obama. Ele também disse que acabou com a separação de famílias de imigrantes – um programa que foi criado durante seu governo e foi duramente criticado.

Autoridades do Texas informaram na segunda-feira que sete imigrantes morreram, incluindo uma mulher, dois bebês e uma criança, em uma demonstração dos perigos do calor extremo do verão à medida que famílias da América Central tentam cruzar a fronteira entre México e EUA.

Segundo o xerife do Condado de Hidalgo, Eddie Guerra, os corpos de uma mulher de aproximadamente 20 anos, dois bebês e outra criança pequena e foram encontrados em uma área com vegetação perto do Rio Grande, ao sudoeste do Anzalduas Park.

Mortes
Os corpos do salvadorenho Óscar Alberto Martínez Ramírez, de 25 anos, e de sua filha Valeria, de 23 meses, foram encontrados na segunda-feira às margens do Rio Grande, na fronteira dos EUA com o México. Os rostos estavam submersos na água e a menina, enfiada dentro da camiseta preta do pai, tinha um dos braços envolto no pescoço dele, sugerindo que ela se agarrou a ele nos momentos finais.

A fotografia de Julia Le Duc, publicada pelo jornal mexicano La Jornada, ressalta os perigos enfrentados por imigrantes da América Central que fogem da violência e da pobreza e esperam encontrar asilo nos EUA.

Segundo a reportagem de Le Duc, Ramírez, frustrado porque sua família não conseguiu se apresentar às autoridades americanas para pedir asilo, decidiu nadar até o outro lado do rio com sua filha, no domingo. Ele a colocou na margem norte do rio e voltou para pegar a mulher, Tania Vanessa Avalos, de 21 anos.

Mas, ao ver o pai se afastar, a menina se jogou na água. Rodríguez voltou e conseguiu pegar Valeria, mas a corrente levou os dois.

O texto foi escrito com base no que a mãe, Tania, contou à polícia local em meio a lágrimas e gritos, segundo relatou Le Duc à agência Associated Press. A foto lembra a imagem de 2015 de um menino sírio de 3 anos, Aylan Kurdi, que se afogou no Mediterrâneo na ilha grega de Kos – embora ainda não se saiba se ela pode ter o mesmo impacto em concentrar a atenção internacional para a crise migratória nos EUA. (Com agências internacionais).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.