20 de setembro de 2019

Rumores de greve dos caminhoneiros preocupa agronegócio

No ano passado, a paralisação teve grande impacto nos resultados anuais


Por Nani Camargo Publicado 03/05/2019

O forte impacto na economia causado pela Greve dos Caminhoneiros no ano passado ainda causa preocupação aos empresários que dependem da operação logístic a para escoar toda a sua produção. Desde a produção do campo até o embarque de mercadorias no porto para exportação, por exemplo, toda a cadeia logística é afetada de modo avassalador.

No ano passado, a paralisação teve grande impacto nos resultados anuais. O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens produzidos no País em dado período, chegou a ter crescimento projetado de até 3%, mas acabou recalculado para 1,3%. Porém, um problema que parecia ter ficado no passo, ainda ecoa nas manchetes dos jornais e ameaças de novas paralisações ainda fazem parte do noticiário.

Em grupos de WhatsApp que fomentam o giro de informações entre caminhoneiros, a paralisação já estaria marcada para o dia 21 de maio – quando fará um ano da greve do ano passado.
Para contornar o problema, o Governo Federal tem anunciado medidas paliativas. A Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) alterou a resolução que trata da tabela de frete mínimo para acabar com as multas aplicadas aos caminhoneiros que descumprirem a tabela ou denunciarem a empresa que não paga valor mínimo do frete. A medida foi aprovada nesta terça-feira (30/04), durante reunião da diretoria da agência.
De acordo com a ANTT, a forma como estava escrita a resolução desmotivava os motoristas a denunciar as empresas que estavam pagando o preço abaixo da tabela, pois eles recebiam o mesmo tipo de punição aplicada as empresas embarcadoras, não deixando seguro o processo de transporte para as partes contratantes.Empresários preocupados
A constante ameaça de paralisações mexe com a cabeça de empresários que começam a repensar estratégias para minimizar o risco financeiro e produtivo Na visão do CEO da VMX Agropecuária, Carlos Cesar Floriano, o cenário é preocupante. “Esse tipo de discussão atrapalha muito o agronegócio e, por isso que muitas empresas estão avaliando a possibilidade de manter frotas internas, para evitar a ameaça de dependência deste tipo de situação”, afirma.Segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o PIB do agronegócio recuou aproximadamente 1,6% em 2018. De acordo com a entidade, o setor foi impactado principalmente pela greve dos caminhoneiros, que fez preços de insumos dispararem. Para 2019, a previsão é de alta de 2%, anunciada em dezembro passado. “Um setor importante como o agronegócio, que depende de previsibilidade, precisa que a estrutura logística do país seja eficiente, rápida e com custo acessível dos processos”, argumenta ainda Carlos Cesar Floriano.

Por Estadão Conteúdo