05 de abril de 2020

Petrobras eleva preço da gasolina em 3% depois de quatro cortes

A alta, de R$ 0,50 por litro, acompanha a recuperação das cotações internacionais e a desvalorização do real ante o dólar


Por Folhapress Publicado 19/02/2020
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Depois de quatro cortes em 2020, a Petrobras subirá o preço da gasolina em 3% nesta quinta-feira (20). A alta, de R$ 0,50 por litro, acompanha a recuperação das cotações internacionais e a desvalorização do real ante o dólar. O preço do diesel não sofrerá alterações.


É o primeiro aumento no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras em 2020. Antes, a companhia havia anunciado quatro reduções, diante da queda das cotações internacionais do petróleo. A demora para que os repasses chegassem ao consumidor motivou uma campanha do presidente Jair Bolsonaro contra governadores.


De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço da gasolina nas bombas caiu apenas 1% desde o pico de R$ 4,59 por litro atingido na semana do dia 25 de janeiro. Na semana passada, o litro do combustível era vendido no país, em média, a R$ 4,55. 


Até lá, antes do reajuste anunciado nesta quarta (19), a queda acumulada nas refinarias era de 11%. Bolsonaro culpou os impostos estaduais pela demora no repasse e desafiou os estados a zerar a alíquota do ICMS, gerando uma onda de cobranças contra governadores em redes sociais. 


Convocado a apaziguar os ânimos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu depois que a proposta era inviável. Após reunião com os governadores, ele disse que a tributação dos combustíveis será incluída no debate da reforma tributária. 


O reajuste anunciado ao mercado nesta quarta é visto por alguns analistas como insuficiente para cobrir a defasagem com relação às cotações internacionais. Na última sexta (14), segundo o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), o preço da gasolina no Brasil estava R$ 0,14 abaixo da cotação do Golfo do México.


A política de preços da Petrobras é baseada em um conceito chamado de paridade de importação, que inclui as cotações internacionais, a taxa de câmbio e custos para importar os produtos, além de margens de lucro. A estatal diz, porém, que o cálculo do valor da paridade varia de empresa para empresa.


No caso do diesel, o CBIE estima que o preço interno esteja R$ 0,12 por litro abaixo das cotações internacionais. No ano, o produto acumula queda de 14% nas refinarias. Nas bombas, segundo a ANP, caiu 2,1% desde o pico de R$ 3,791 por litro da semana de 18 de janeiro. Na semana passada, saiu em média por R$ 3,711 por litro.


Nesta semana, caminhoneiros voltaram a protestar no porto de Santos. Na pauta, além de questões relacionadas ao novo zoneamento do porto, estava também o preço do combustível. O tema também vem sedo usado por petroleiros em greve para questionar as políticas da atual administração da Petrobras.