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Romarias para Aparecida preocupam concessionária que administra a Via Dutra

As concessionárias e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) recomendam que os romeiros evitem utilizar as autoestradas, como a Dutra, onde o risco de acidentes é maior


Por Estadão Conteúdo Publicado 07/10/2019
Reprodução
Milhares de peregrinos seguem a pé para participar da Festa da Padroeira, que deve reunir 200 mil pessoas, no feriado do próximo sábado, 12, no Santuário Nacional de Aparecida, interior de São Paulo. Os romeiros caminham pelo acostamento da Via Dutra, principal acesso à cidade, e correm o risco de atropelamento. No ano passado, duas pessoas morreram e oito ficaram feridas em dez atropelamentos acontecidos neste período. No ano anterior, tinham sido quatro acidentes, com uma pessoa morta e três feridas.

As concessionárias e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) recomendam que os romeiros evitem utilizar as autoestradas, como a Dutra, onde o risco de acidentes é maior. Conforme a concessionária CCR Nova Dutra, mesmo com as campanhas de orientação, o número de peregrinos na estrada só vem aumentando. No ano passado, foram contabilizados 20 mil romeiros caminhando pela rodovia com destino à Aparecida, no período da festa, em outubro. Este ano, desde o dia 1º, cerca de 3,1 mil já passaram a pé pela rodovia. O pico é esperado para a véspera e o dia da festa, quando 15 mil pessoas devem chegar ao santuário a pé pela Dutra.

A concessionária e o DER pedem que os romeiros usem caminhos alternativos mais seguros, como a Rota da Luz. Criado pelo governo estadual, esse roteiro começa em Mogi das Cruzes, próximo da capital, e segue paralelo à Dutra por 194 km até Aparecida, passando por ruas e estradas menos movimentadas de oito cidades. A rota é sinalizada. Conforme Virgílio Leocádio, gestor de atendimento da concessionária, apesar das campanhas, o roteiro mais seguro ainda é pouco utilizado.

Segundo o gestor, na Dutra, a velocidade máxima permitida é de 110 km/h e o acostamento deve ser usado para paradas de emergência ou como escape para os carros em caso de avaria ou acidente. “O romeiro acha que está seguro, mas não está. Com tanta gente no acostamento, o risco de uma tragédia é muito grande. Sem contar que a Dutra tem mais de mil acessos, entradas e saídas de cidades e postos de serviços. A travessia desses locais é sempre muito perigosa. Não há como proibir a manifestação de fé na rodovia, mas precisamos alertar para os riscos.”

Ele lembra um acidente acontecido no dia 28 de setembro, quando um peregrino que seguia a pé para o santuário de Aparecida foi atropelado no acostamento da Dutra, em São José dos Campos, pelo ônibus da banda católica Rosa de Saron. O motorista do veículo disse que o ônibus teve um problema mecânico e ele perdeu o controle da direção. A vítima, Emanuel Santos dos Anjos, pagava uma promessa por uma cirurgia bem sucedida, segundo familiares.

Agentes da concessionária estão abordando grupos de romeiros que já estão na Dutra para orientar sobre medidas de segurança, como caminhar no sentido contrário ao do tráfego, em fila indiana, o mais distante possível da pista e do acostamento. O peregrino é alertado para caminhar somente durante o dia e a interromper a marcha em caso de chuva, quando o risco de acidente é maior.

Outra dica é usar roupas claras ou coloridas e, se possível, faixas refletivas para aumentar sua visibilidade. Os veículos de apoio às romarias não devem estacionar ou trafegar pelo acostamento, que também não deve ser usado para descanso. “Descansar sentado no acostamento é um risco imenso”, disse. Os motoristas também são alertados, através de folhetos distribuídos nos pedágios, para a presença de romeiros à beira da pista.

Nesta segunda-feira, 7, grupos de romeiros com até 80 pessoas eram vistos em marcha por rodovias do interior, como a Castelo Branco e a Anhanguera, seguindo para Aparecida. Algumas romarias saíram de locais distantes, como Caeté, em Minas Gerais, com percurso de 1.032 km. Grupos partiram também do Rio de Janeiro, devendo percorrer 495 km.

As romarias devem chegar a Aparecida a partir de quinta-feira, 10, permanecendo na cidade até o feriado de sábado, 12, Dia da Padroeira do Brasil. Durante a marcha, grupos de apoio montam estruturas em cidades como São José dos Campos, Caçapava e Taubaté para oferecer alimentação, massagem, curativo e descanso para os caminhantes. Segundo o gestor da CCR Nova Dutra, mesmo após o dia 12 outras romarias continuarão chegando à cidade. “Muitos preferem ir depois justamente para evitar os congestionamentos, por isso o período de alerta segue até o mês de novembro.”

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