24 de junho de 2019

Preços de corrida em SP sobem em dia de paralisação global de motoristas de Uber

As manifestações na rua foram organizadas espontaneamente pelos motoristas


Por Folhapress Publicado 08/05/2019
Divulgação

Os preços das corridas pelo aplicativo Uber começaram esta quarta-feira (8) com valores até 50% mais caros em alguns trajetos de São Paulo. Em protesto contra as condições de trabalho, os motoristas do aplicativo preparam uma paralisação global na mesma semana em que a companhia deve fazer sua estreia na Bolsa de Valores. No Brasil, eles protestam também contra o aumento do preço da gasolina.
Segundo observado pela reportagem, em trajetos da Pompeia ao aeroporto de Guarulhos e de Perdizes e de Pompeia até a região central da cidade de São Paulo o preço das corridas ficou em torno de 50% mais caro, na comparação com dias anteriores.
De Perdizes à região central, por exemplo, no período antes das 8h, o valor costuma ficar próximo a R$ 10, enquanto nesta quarta o preço subiu para R$ 15. Às 10h, os preços já voltavam a se normalizar.
Conforme relatado à reportagem, nos grupos de mensagem de motoristas dos apps, os integrantes estão se mobilizando para ver quem não aderiu à paralisação. Eles fazem imagens da tela dos celulares para mostrar quem aceitou a corrida e divulgam no grupo.
Outra tática adotada por motoristas que querem ampliar a paralisação é fazer chamadas no aplicativo como se fosse passageiro e conversar com o profissional designado para atender a corrida para convencê-lo a desligar o aplicativo.
Também há os que estão chamando corridas e cancelando pouco antes do profissional que vai atendê-la chegar, para causar prejuízo em quem não aderiu à greve.
As ações destoam do clima entre motoristas que foram protestar nas ruas. Os motoristas fizeram questão de que quem não aderiu à greve deve ser respeitado, sem, com isso, deixar de tentar convencê-lo a desligar os aplicativos.
Na manhã desta quarta, o protesto no Vale do Anhangabaú contava com a adesão de 130 motoristas e 30 carros, de acordo com Paulo Reis, motorista de Uber que estava liderando a paralisação na cidade. A projeção de Reis é que o movimento chegue a 1.000 motoristas e 500 carros.
A manifestação no Anhangabaú teve início às 8h. De lá, os motoristas seguiram a pé até o prédio da B3, bolsa de valores de São Paulo, onde fizeram ato de protesto.
Também na manhã desta quarta-feira, cerca de cem motoristas de aplicativos estavam diante de um dos escritórios da Uber, na Barra Funda.
Eles fecharam duas faixas da rua Júlio Gonzalez, deixando apenas uma liberada para o tráfego. Por essa faixa, por vezes passavam motoristas de aplicativos transportando passageiros. Quando isso acontecia, os motoristas em greve gritavam para quem não havia parado de trabalhar.
Quem decidiu por não aderir à paralisação acabou aproveitando o preço dinâmico, que eleva as tarifas quando a oferta de motoristas é baixa.
Alex da Cruz, 24, é um exemplo. Ele disse não poder parar pois nesta semana tem de pagar o aluguel do carro que usa para trabalhar e a mensalidade da escola da filha. “Nessa época do mês não dá para parar, tem muito boleto vencendo”, afirmou.
Pela manhã, Alex disse normalmente ver corridas com tarifas 50% mais caras. Nesta quarta, ele as viu triplicar de preço. “Mas foi rápido. Às 9h20, já tinha voltado ao normal”.
Em Niterói (RJ), a disponibilidade de veículos e os preços estavam normais. Um motorista disse à reportagem que nem sabia da paralisação.
Um motorista que seguiu trabalhando disse considerar a categoria desunida e que não compensaria aderir a greve se muitos outros seguiriam trabalhando. Outro afirmou que já conhecia as condições de trabalho quando começou a trabalhar a partir dos aplicativos e, como prestador de serviços autônomo, não concordava com a paralisação.
No país, quem aderir à ação deve desligar seus aparelhos entre 0h de quarta-feira e só voltar ao trabalho na quinta-feira.
O movimento, que ganhou o nome “Uber Off” (Uber desligado), segue orientação de associações de motoristas internacionais, diz Eduardo Lima de Souza, presidente da Amasp (Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo).
“A Uber passa um valor de tarifa para o motorista muito baixo e a empresa só cresce, ficando bilionária, ganhando valores exorbitantes”, disse.
Segundo ele, com a gasolina muitas vezes custando mais de R$ 5 o litro, é comum que motoristas façam viagens nas quais seus ganhos, descontados os custos, são de centavos.
Ele reclama de o último reajuste da Uber ter sido há três anos. Segundo ele, o problema também acontece nas outras plataformas do mercado, 99 e Cabify, e quem trabalha com elas também deve desligar os aplicativos.
As manifestações na rua foram organizadas espontaneamente pelos motoristas, sem a participação da associação, que as apoia.
Na Grã-Bretanha, os motoristas iniciaram o dia da greve protestando contra a disparidade entre as condições de trabalho e as somas que os investidores provavelmente farão na estreia do mercado de ações.
Em seu lançamento de ações, a Uber espera atingir US$ 91 bilhões em valor de mercado e arrecadando até US$ 9 bilhões.
Motoristas de Londres e das cidades de Birmingham, Nottingham e Glasgow devem ficar desconectados do aplicativo entre as 7h e 16h (horário local).
“Estamos com esses trabalhadores em greve hoje, em todo o Reino Unido e no mundo”, disse Jeremy Corbyn, líder trabalhista da oposição britânica.

Por Folhapress