15 de setembro de 2019

Lis, siamesa separada por cirurgia, tem alta de UTI e se junta à irmã

A outra gêmea, Mel, saiu da unidade de terapia intensiva em 21 de maio, quando as duas se encontraram pela primeira vez depois da operação


Por Redação Educadora Publicado 27/05/2019

A pequena Lis, gêmea siamesa separada da irmã, Mel, em uma cirurgia inédita no Distrito Federal, recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, após um mês. Mel havia deixado a unidade intensiva e seguido para a enfermaria da unidade em 21 de maio. Com a liberação de Lis nesta segunda-feira (27), as irmãs agora são vizinhas de berço.

“Está sendo maravilhoso. Acho que foi o que eu tanto esperei. Mais de um ano esperando esse momento e finalmente ter elas duas, poder vê-las separadas é coisa de outro mundo, é outra sensação”, descreveu Camilla Vieira, mãe das gêmeas.

Após a alta, as duas passaram por uma sessão de fisioterapia e tomaram banho de sol juntas. “O pai delas estava segurando uma e a fisioterapeuta, a outra. Eu fiquei olhando e pensando: ‘gente, parece mentira, parece um sonho que elas estejam assim’. Meu coração explode de felicidade. É muito bonitinho elas brincando e se tocando. Uma toca em uma e ri, aí a outra tem horas que não quer, e fica aquela coisa de irmão. Nossa, para mim é maravilhoso, é o que eu tanto esperei”, emocionou-se Camilla.

“Na hora que eu entrei no quarto, ela já começou a rir e deu o braço, para eu pegar no colo. A Lis é mais quietinha, mais séria. Ela estava chorosa porque tinha acabado de acordar e não queria muito colo, mas foi muito bom”, disse o pai, Rodrigo Aragão, sobre o reencontro com a filha. Ele estava em viagem a trabalho e foi presenteado com a alta de Lis.

A cirurgia

O procedimento de extrema complexidade realizado nas gêmeas foi dividido em 36 etapas, entre as 6h30 do dia 27 e as 2h30 de 28 de abril. O sucesso foi intensamente comemorado pelos pais das crianças e pela equipe do Hospital da Criança de Brasília. As gêmeas, que completam 1 ano em 1º de junho, estão em tratamento no centro especializado desde que tinham apenas 2 meses.

O procedimento de separação começou a ser planejado desde essa época, quando o médico Benício Oton de Lima confirmou, por meio de exames, que a operação seria viável. Elas compartilhavam apenas uma pequena parte do cérebro, que poderia ser retirada sem danos.

A equipe médica considera que a ligação das meninas, no lóbulo frontal direito dos crânios, facilitou o trabalho de separação, visto que permitiu às crianças se desenvolverem normalmente. “Não são pacientes acamadas. São pacientes saudáveis, que tiveram o crescimento e o desenvolvimento motor perfeitamente normal”, destacou a anestesiologista Liliana Teixeira.

Casos raros

Os casos de gêmeos siameses são bastante raros e, entre eles, os unidos pelas cabeças são ainda mais incomuns. Na literatura médica internacional, a situação das brasilienses é a 10ª em que houve indicação para a realização da operação. “Será a primeira e a última vez que farei uma cirurgia destas”, afirmou o neurocirurgião Benicio Oton de Lima, que chefiou a equipe médica. Apenas um em cada 2,5 milhões de nascimentos é de craniópagos.

Prestes a completar 1 ano, Mel e Lis vêm sendo acompanhadas pelo Hospital da Criança de Brasília desde agosto do ano passado. Doutor Benício conheceu as duas quando ainda estavam na barriga da mãe, que era atendida pelo Hospital Materno Infantil de Brasília. A mulher estava, então, com 12 semanas de gestação.

Foi necessário realizar uma série de exames para verificar se, de fato, elas teriam chances de serem separadas.“O dia em que ele [o médico] disse que poderíamos separá-las foi de muita felicidade para mim”, lembrou a mãe das meninas. Em fevereiro, as duas passaram por uma primeira cirurgia, para que fossem instalados extensores de silicone e os corpos delas produzissem pele.

Os cirurgiões treinaram em moldes 3D e bonecas. Tudo foi ensaiado milimetricamente para diminuir os riscos de um procedimento tão complicado. “Imensa satisfação de ter participado desse procedimento tão especial. É um trabalho em equipe”, afirmou o cirurgião plástico Ricardo de Lauro Machado Homem.

Fonte: Metrópoles