07 de abril de 2020

Drauzio Varella pede, e Youtube exclui vídeo descontextualizado publicado por Flávio Bolsonaro

No material, gravado em janeiro, quando ainda não havia casos confirmados de coronavírus no Brasil, Drauzio dizia que não havia motivo para mudar a rotina e que continuaria a sair normalmente na rua


Por Folhapress Publicado 26/03/2020
Foto: Reprodução/ Youtube

Após solicitação de Drauzio Varella, o Youtube excluiu vídeo publicado no canal do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). A informação foi confirmada à reportagem pela equipe do médico.


No material, gravado em janeiro, quando ainda não havia casos confirmados de coronavírus no Brasil, Drauzio dizia que não havia motivo para mudar a rotina e que continuaria a sair normalmente na rua.


No entanto, o filho do presidente Jair Bolsonaro publicou o vídeo no domingo, 22 de março, quando as recomendações dos órgãos de saúde já haviam mudado e o pedido era o de que as pessoas ficassem em casa -inclusive do próprio Drauzio. Quando o vídeo foi excluído já contava com mais de 40 mil visualizações.


Ao publicar o vídeo fora de contexto, Flávio o colocou como reforço ao argumento que tem sido defendido por seu pai e alguns aliados mais radicais de que há uma reação exagerada à pandemia e de que o confinamento de pessoas proposto por governadores é equivocado e prejudicará a economia nacional.


A equipe do médico disse à reportagem que não pensa em processar Flávio ou quem quer que esteja promovendo os vídeos fora de contexto.


“Não estamos pensando em ação. Nosso foco é manter nosso trabalho, que acreditamos ser essencial neste momento. Não vamos perder tempo com nada que fuja da nossa função de informar a população sobre a pandemia”, afirmam.


Em seu pronunciamento desta terça (24), Bolsonaro referiu-se ao mesmo vídeo de maneira irônica. “[Se contaminado pelo coronavírus] Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como disse aquele famoso médico daquela famosa televisão”, disse o presidente.


O Brasil já teve 57 mortes por coronavírus e 2.433 casos confirmados, segundo números divulgados pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira (25).


Aliados de Bolsonaro têm sido alvo de políticas de ataque à desinformação promovidas pelas redes sociais em meio à pandemia. Como mostrou a Folha de S.Paulo, o Twitter apagou posts e paralisou por 12 horas as contas de Flávio Bolsonaro, Allan dos Santos (influenciador bolsonarista) e Ricardo Salles (ministro do Meio Ambiente) por acreditar que estavam aumentando o risco de as pessoas se exporem ao coronavírus.


O Youtube também tirou do ar vídeo do guru bolsonarista Olavo de Carvalho.