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Doria rechaça uso generalizado de cloroquina e pede reunião de paz com Bolsonaro

Doria rechaçou enfaticamente o uso da cloroquina. Questionado, afirmou que "não, nós não faremos distribuição, nem aplicação generalizada da cloroquina. Por que? Porque a ciência não recomenda"


Por Folhapress Publicado 20/05/2020

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), pediu nesta quarta-feira (20) que a reunião entre os governadores e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aconteça em clima de paz e de preservação da vida.

O encontro, virtual, está marcado para esta quinta-feira (21), às 10h da manhã. Ele acontecerá logo após o Brasil registrar mil mortes por coronavírus em 24 horas, um recorde, e após o Ministério da Saúde ampliar o protocolo sobre o uso da cloroquina para casos leves da Covid-19.

Doria rechaçou enfaticamente o uso da cloroquina. Questionado, afirmou que “não, nós não faremos distribuição, nem aplicação generalizada da cloroquina. Por que? Porque a ciência não recomenda”.
Na sequência, o secretário de Saúde do estado de São Paulo, José Henrique Guermann, explicou que a nova medida do governo federal não altera os protocolos vigentes até então no que tange o fato de que o medicamento pode ser usado caso o médico entenda que é o caso e com autorização do paciente.
“Não é um medicamento que você distribui sem prescrição”, disse Guermann.
O próprio texto do Ministério da Saúde, reconhece que não há evidências suficientes de eficácia do remédio, e o termo de consentimento do paciente cita risco de agravamento da condição clínica.

Até então, o protocolo adotado pelo órgão previa o uso do medicamento apenas por pacientes graves e críticos e com monitoramento em hospitais –pacientes com quadro leve, em determinadas circunstâncias, podem ser encaminhados para o isolamento em suas próprias casas, por exemplo.
Médicos têm relatado pressão para receitarem a cloroquina a pacientes, conforme revelou o jornal Folha de S.Paulo. Entidades de saúde têm se posicionado contra seu uso, uma vez que não há eficácia comprovada cientificamente.

Na terça (19), mesmo dia em que o Brasil ultrapassou a marca de mil mortes diárias, o presidente Bolsonaro ironizou quem não incentiva o uso do medicamento.
“Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína”, disse, referindo-se a uma marca de refrigerante. No dia seguinte, Bolsonaro lamentou as mortes.

Ainda nesta quarta, Doria disse que houve uma conversa entre com 25 governadores do Brasil. Ele afirmou que espera que medidas como o megaferiado sirvam para aumentar a taxa de isolamento do estado, que é o epicentro da pandemia no Brasil.
“Vamos precisar ver pessoas mortas nas ruas e calçadas para entendermos que a orientação da medicina para o isolamento é única alternativa que existe para preservar vidas? Pense nisso, você que é contra o isolamento social, reflita você que não acredita no isolamento social”, disse o governador de São Paulo.
Doria ainda afirmou que já há um protocolo pronto para um possível “lockdown”, que não tem previsão para acontecer, mas pode ser adotado caso os índices do estado sigam piorando.

Desde o início da pandemia, o governador de São Paulo e Bolsonaro têm trocado farpas, sobretudo quanto a adoção ou não de medidas de isolamento social.
“Nunca imaginei na minha existência ter que conviver e anunciar mil mortes num dia. Não é possível que alguém com o mínimo de compaixão não se sensibiliza diante deste fato, não reflita diante desta situação”, completou o governador.
Bolsonaro já criticou publicamente os governadores que não seguiram seu decreto de autorizar o funcionamento de academias e salões de beleza como serviços essenciais durante a quarentena.
“Os governadores que não concordam com o decreto podem ajuizar ações na Justiça ou, via congressista, entrar com projeto de decreto legislativo”, escreveu Bolsonaro no Facebook.

No entanto, o STF (Supremo Tribunal Federal) já havia decidido em abril que União, estados e municípios têm competência concorrente para definir estratégias de saúde pública e regulamentar a quarentena. O STF deixou clara a autonomia dos entes da Federação para fixar os serviços aptos a seguirem em funcionamento.

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