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Neto elogia atletas da seleção de basquete: ‘Maior crédito por evolução é delas’

Treinador foi responsável por liderar o processo de renascimento da equipe, que foi ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima e bronze na Copa América no ano passado


Por Estadão Conteúdo Publicado 06/02/2020
Divulgação/CBB

A seleção brasileira feminina de basquete foi de uma equipe desacreditada em maio de 2019 para uma que enfrentou grandes potências, como os Estados Unidos, de igual para igual, e pode confirmar nos próximos dias o que parecia impossível há alguns meses: se garantir nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Responsável por liderar o processo de renascimento da equipe, que foi ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima e bronze na Copa América no ano passado, o técnico José Neto, em entrevista ao Estado, deu o maior crédito da mudança 0ao grupo de jogadoras.

O Brasil estreia nesta quinta-feira, às 14 horas (de Brasília), diante Porto Rico, no Pré-Olímpico de Bourges, da França, no último passo para se garantir na Olimpíada. Com três vagas para quatro seleções, uma vitória coloca o time brasileiro em uma posição privilegiada. A seleção enfrenta ainda as anfitriãs no sábado, às 16h30, e encerra sua participação no domingo, às 10h, diante da Austrália.

Após o período de preparação, você está satisfeito com o atual estágio da seleção

Acredito que as coisas sempre podem ser melhores porque acredito na capacidade de quem trabalha para evoluir. Por isso hoje estamos entre as 16 melhores equipes do mundo e disputando uma das 10 vagas que existem para os Jogos Olímpicos. Há sete meses, era uma possibilidade mais distante e dia a dia fomos diminuindo esta distância com uma determinação incrível das jogadoras e do apoio incondicional do COB e CBB para termos as melhores condições possíveis para cada etapa de treinamento. Posso dizer que o nível que nós estamos é o melhor para este momento. Mas acredito que podemos evoluir muito mais. Este não é o nosso limite. Estamos em evolução. Agora vamos colocar à prova se esse nosso melhor de hoje é suficiente para superar equipes que estão há mais de três anos em um mesmo processo de trabalho e conseguirmos conquistar uma das vagas para Tóquio.

O amistoso diante da Sérvia foi importante para uma última avaliação da equipe?

Escolhemos a Sérvia por vários motivos, mas principalmente pela consistência que esta equipe joga devido aos oito anos neste processo de trabalho e em uma constante evolução. Uma equipe que joga com muita qualidade técnica e tática e aliada ao jogo físico, talvez ainda mais do que os nossos adversários do Pré olímpico. Tudo isso foi confirmado neste amistoso. Enfim, foi muito válido.

Qual é o peso de ter, logo na estreia, o jogo mais importante do Pré-Olímpico?

Este é o primeiro erro que poderemos cometer se pensarmos assim. Temos de encarar cada jogo como importante, até porque vencendo apenas o primeiro jogo não nos garante a classificação. Temos de jogar todos os jogos como um jogo único se quisermos depender somente de nós mesmos para classificarmos.

É possível utilizar alguma situação das últimas duas vitórias sobre Porto Rico para este confronto na França?

Sem dúvida nenhuma, os jogos anteriores nos ajudam para a preparação deste próximo jogo. Ter uma referência de como jogam, como foram as respostas de Porto Rico para as nossas ações ofensivas e defensivas e conhecer melhor as características individuais das jogadoras de Porto Rico. Mas somos bem conscientes de que o que fizemos antes, serviu apenas para chegarmos até aqui. Nós não queremos ficar aqui. Queremos conquistar algo mais. O próximo jogo não começamos com nenhuma vantagem no placar porque ganhamos os últimos jogos contra elas. A partida começa 0 a 0 e se queremos terminar com uma vantagem, precisamos construir essa vantagem e conquistar uma nova vitória

Vê o Brasil em condições de bater de frente também com Austrália e França?

É uma resposta complicada porque não temos referência do nosso trabalho contra estas equipes. Tudo o que vimos foram jogos destas equipes contra outras e as características individuais das jogadoras. São duas equipes que já estão neste processo de trabalho há mais de oito anos e com êxitos no cenário mundial. A Austrália é a atual vice-campeã mundial e a França, além de ser vice campeã europeia, ainda tem uma vantagem de poder estar jogando em seu país. Mas temos uma expectativa boa de que podemos competir neste nível e quem sabe surpreender. Mas sem dúvida nenhuma são as favoritas.

Lá atrás, quando falamos, você colocava o Brasil em uma briga injusta pela vaga em Tóquio por ser um início de trabalho e os rivais já estarem em vantagem. Agora esta possibilidade é bem palpável. O que mudou?

A ideia saiu do papel e da nossa imaginação e as jogadoras executaram as ações com excelência. Não pensaram nas limitações que impossibilitaria a nossa continuidade para brigarmos por uma vaga em Tóquio. Em nenhum momento, desde o início, atrelamos o nosso trabalho ao resultado imediato de disputar os Jogos de Tóquio porque temos de respeitar um processo de implementação e desenvolvimento desta proposta. Porém sempre falamos que iríamos jogar com o nosso melhor e aproveitar todas as oportunidades de recolocar o basquete feminino brasileiro em uma posição digna no cenário internacional. Acredito que mesmo com pouco tempo de trabalho, estamos tendo esta oportunidade. Vamos em busca de aproveitar esta chance.

Qual acredita ter sido sua maior contribuição para o crescimento da seleção, que foi de uma equipe desacreditada para uma que enfrentou até grandes potências, como os Estados Unidos, de igual para igual?

Nada acontece por acaso. Um somatório de atitudes levaram a esta mudança em tão pouco tempo. Uma mudança de mentalidade. É muito difícil ter resultados expressivos sem ter um trabalho em equipe em qualquer modalidade esportiva. Em uma modalidade esportiva coletiva, é ainda mais difícil. O maior crédito desta evolução, sem dúvida está sendo das jogadoras, que entenderam o propósito do trabalho, estão muito comprometidas e estão executando sua função no seu limite máximo. Acredito também que para que elas possam dar esse máximo, temos de oferecer um grupo de trabalho com profissionais que além da competência, precisam estar na mesma página e comprometidos com este propósito para que possam assim doar-se a este trabalho em suas funções. E por fim, a gestão e apoio da CBB que em parceria com o COB, ofereceram toda estrutura e recursos condizente com o que estamos buscando, que é trabalhar com excelência para a evolução do basquete brasileiro.

Alguma coisa neste processo te surpreendeu?

A entrega e comprometimento de todos os envolvidos, principalmente da comunidade do basquete feminino. Com certeza contribuiu muito para um resultado expressivo muito rápido como a medalha de ouro do pan-americano de Lima. Esta foi um impulso importante para continuarmos evoluindo e implementando a nossa metodologia de trabalho.

Érika, Damiris, Clarissa, entre outras jogadoras, destacaram que você foi importante por tirar um peso das costas delas, deixá-las à vontade para jogar e ser um paizão. Como foi para você esta relação com o feminino depois de tanto tempo no masculino?

Estas são as coisas que me motivam a seguir em frente e me dedicar cada vez mais. É a primeira vez que trabalho com o basquete feminino. Trouxe o Diego Falcão, que é o responsável por toda priorização e planejamento das equipes que trabalho há 13 anos, que já teve uma experiência no início da carreira com o basquete feminino e poderia encurtar esta adaptação. Depois de iniciar o trabalho e ver estas jogadoras que são atuais referências do nosso basquete declararem este comprometimento com a nossa proposta de trabalho é incrível. O dia a dia com elas é muito bom. Viemos com o propósito de poder implementar e deixar uma mentalidade de treinamento para que isso possa contribuir para o desenvolvimento do basquete feminino brasileiro.

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