20 de novembro de 2019

Mundial de Atletismo terá novo rei dos 100m e brasileiro buscando marca na prova

Pela primeira vez desde 2005, o Mundial de Atletismo, que começa nesta sexta-feira (27), em Doha, no Catar, não terá Usain Bolt


Por Estadão Conteúdo Publicado 27/09/2019
Divulgação/COB

Pela primeira vez desde 2005 sem Usain Bolt, o maior velocista da história, o Mundial de Atletismo começa nesta sexta-feira (27) em Doha, no Catar, com os homens mais rápidos do mundo querendo ocupar o trono deixado pelo jamaicano. Nos 100m rasos, a prova mais nobre da modalidade, alguns competidores aparecem com um ligeiro favoritismo: Christian Coleman e Justin Gatlin, dos Estados Unidos, e o nigeriano Divine Oduduru.

Claro que todo velocista sonha em ser campeão mundial, mas o principal nome do Brasil tem também outra ambição. Paulo André espera conseguir correr pela primeira vez abaixo dos 10 segundos e ter a marca validada. O recorde brasileiro e sul-americano de Robson Caetano já dura mais de 30 anos – foi obtido em 22 de julho de 1988, na Cidade do México, quando ele marcou exatos 10 segundos nos 100m rasos.

Paulo André, que nasceu dez anos após esse feito, tem a segunda melhor marca no continente ao correr a distância em 10s02, em setembro do ano passado, em Bragança Paulista. Neste ano, foi melhor no Troféu Brasil de Atletismo, no mesmo local, e cravou 9s90, mas como o vento estava +3,2 m/s, acima do permitido (+2 m/s), a marca não foi homologada.

“Melhorar é sempre bom e me motiva mais. Agora é repetir a marca sem vento, quem sabe em Doha, para beliscar uma medalha para o Brasil. A gente quer correr dentro das normas e esse vento me frustrou um pouco. Queria ver como seria essa corrida sem o vento. Mas nada acontece por acaso”, disse.

Simulações que levam em consideração a velocidade do vento indicaram que ele iria bater a marca histórica se houvesse um vento permitido naquele momento. Ou seja, correria abaixo dos 10 segundos. “É um recorde continental que tem mais de 30 anos. Querendo ou não, fica aquela coisa no subconsciente de saber se vai dar. Consegui provar que é possível e estou muito feliz”, continuou.

No Mundial, ele vai correr ao lado dos grandes nomes internacionais e isso pode até “acelerar” sua prova. “Eu e meu técnico já sabemos que eu tenho essa corrida na perna há algum tempo. Já deixou de ser sonho, agora é realidade. Só provei que sou capaz. Vi em pesquisas que ia dar abaixo de 10 segundos se não tivesse o vento, agora é repetir para continuar correndo com um bom tempo”, avisou.

Na prova nobre do atletismo, Christian Coleman surge como favorito, mas chega a Doha sob a sombra de uma polêmica. Ele deixou de aparecer em três testes antidoping no período de 12 meses e recebeu uma notificação da Agência Antidoping dos Estados Unidos (USADA, na sigla em inglês). Mas, no início do mês, as acusações foram retiradas e ele se tornou apto a disputar o Mundial.

Há dois anos, ele foi medalha de prata no evento, atrás apenas de seu compatriota Gatlin, que está com 37 anos e buscará outro ouro. Desde então, Coleman melhorou nas pistas e tem o melhor tempo do ano nos 100m rasos, com 9s81. Já o jovem nigeriano Divine Oduduru corre por fora e chega ao Mundial com a marca de 9s86.

EQUIPE – Os velocistas também disputarão a prova de revezamento 4 x 100m e nela o Brasil tenta novamente brilhar. O quarteto formado por Paulo André, Vitor Hugo dos Santos, Rodrigo Nascimento e Derick Souza espera repetir a campanha do Mundial de Revezamentos, em Yokohama, no Japão, quando o Brasil ficou com o ouro.

Na ocasião, Jorge Vides estava no lugar de Vitor Hugo. E o Brasil ganhou dos EUA por 2 centésimos ao marcar 38s05 – a Grã-Bretanha foi bronze, com o tempo de 38s15.