18 de janeiro de 2020

Portuguesa tenta aproveitar centenário para sair do sufoco

O presidente também planeja adotar um modelo empresarial e, principalmente, lidar com as dívidas trabalhistas que ajudaram a levar o clube à crise atual


Por Folhapress Publicado 13/01/2020

“Vamos à luta, ó, campeões”. No ano do centenário da Portuguesa, seguir o lema do hino do clube tornou-se a missão de Antonio Carlos Castanheira, 55.
Ele foi eleito presidente para o triênio 2020-2022 após acirrada disputa nas urnas contra o ex-mandatário Alexandre Barros, que buscava a reeleição, em dezembro passado.
“Quando tomei a decisão [de me candidatar] me chamaram de louco, mas a gente ama isso aqui. Tem que esquecer as administrações anteriores e as máculas, como o caso Héverton [sua escalação irregular provocou a queda à Série B do Brasileiro em 2013]. É sacudir a poeira e dar a volta por cima”, diz Castanheira.

Distante dos tempos de glória, com a sede social quase abandonada para seus 1.200 sócios e sem ter o que comemorar no futebol desde a queda de 2013, que desencadeou rebaixamentos até o sumiço do cenário nacional, em 2017, a nova gestão espera aproveitar os festejos dos cem anos para atrair investidores. O aniversário da associação é celebrado em 14 de agosto.
O presidente também planeja adotar um modelo empresarial e, principalmente, lidar com as dívidas trabalhistas que ajudaram a levar o clube à crise atual, com sua conta bancária 100% penhorada.

“Existem ações e valores que chegam a ser irreais. Vamos propor um acordo dentro das possibilidades que a Portuguesa tem de captação de receita”, afirma Castanheira.
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GESTÃO
“Nós montamos um projeto com um tripé formado pela Arena Canindé e o patrimônio da Portuguesa, o futebol de base e o acordo das dívidas. A Portuguesa tem problemas cíveis, fiscais e trabalhistas. O maior, sem dúvida, é a dívida trabalhista. Na próxima semana já vamos propor um acordo dentro das possibilidades reais na captação de receita. Isso vai ser fundamental para o sucesso da gestão. Abrir uma conta corrente e operar sem problemas. Nós já temos o domínio de todas dívidas, mas não dá para falar em números. Temos negociações a serem feitas e existem valores e ações que estão superestimados, chegam a ser irreais.”

CANINDÉ
“Foram dados os primeiros passos em 2015, quando a gente fez o ajuste técnico do projeto. Agora, nós passamos para a captação de investidores, mas tudo só vai poder andar após o acordo trabalhista. Acredito em 18 meses para [que ocorra] essa estruturação. Um projeto dessa envergadura constitui receita e despesa. Não é vender o Canindé, como muita gente fala sem saber. Vamos fazer uma sociedade com os interessados e com quem vai aportar para realizar o projeto. Vai ajudar a modernizar o estádio e a criar outros equipamentos para gerar receita, além do futebol.”

CATEGORIAS DE BASE
“A base será a menina dos olhos. Já vim preocupado, porque não está bacana. Vou definir algumas pessoas para que a gente possa fazer um futebol de base com qualidade e que não falte nada. Não vou sossegar enquanto não ver no profissional da Portuguesa de 8 a 11 jogadores da base. O que vou cobrar é um time decente que, no mínimo, rasgue a cabeça na grama pela Portuguesa.”

FUTEBOL PROFISSIONAL
“Este primeiro semestre é fundamental. Estou convicto da qualidade do [diretor de futebol] José Manuel e do [técnico] Moacir Júnior. Eles estão há mais de dois meses e meio aqui, e tenho que dar apoio.
Precisamos ter esperança [no acesso à elite do Campeonato Paulista] e, se concretizado, vamos nos organizar melhor e mirar a volta ao cenário nacional. Vamos ter paciência, e a torcida sabe. Mas é muito bacana você ressurgir do nada e conquistar no campo o direito de retornar ao seu lugar, e não como acontece com alguns times que conseguem isso no tapetão.”

BUSCA DE RECEITA
“A Lusa tem um grande número de torcedores que possuem padarias, hotéis, lojas, postos de gasolina, supermercados e restaurantes, e tenho certeza que eles vão querer nos apoiar. A nossa diretoria vai organizar as cem empresas do centenário da Portuguesa. Também pedi urgência na reabertura da loja e na reformulação do programa de sócio-torcedor, espero os dois prontos antes da estreia na A-2 do Paulista.”

ÁREA SOCIAL
“Tem projeto de revitalização do Salão Nobre, do anfiteatro e de outros lugares. [Com] as piscinas não tem o que fazer, já foi tudo para baixo. É claro que estava um ambiente degradado, mas não foi feito da forma correta… Agora está um espaço aberto e vamos ter que fazer melhorias, algo para revitalizar e arrecadar dinheiro.”

EVENTOS
“A Portuguesa sobrevive hoje das receitas de eventos e shows. Com a arena vai mudar tudo, mas, nesses 18 meses, a gente vai criar eventos novos em áreas que estão deterioradas para continuar tendo receita. Os eventos continuam, mas pedi maior qualificação das festas. Algumas que não cabem no perfil da Portuguesa. Nem preciso citar quais.”