23 de outubro de 2019

Covas assina concessão do Pacaembu, que ficará fechado por ao menos dois anos

As obras devem começar no primeiro semestre de 2020, com duração prevista de 28 meses


Por Folhapress Publicado 17/09/2019
Divulgação/Prefeitura de São Paulo

O prefeito Bruno Covas (PSDB) assinou a concessão do estádio do Pacaembu por 35 anos. O contrato, firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o consórcio Patrimônio SP (formado pelas empresas Progen e Savona), foi assinado no salão nobre do Pacaembu na manhã de segunda-feira (16).

O consórcio prevê entregar o estádio renovado em julho de 2022, ou seja, daqui a dois anos e meio. As obras devem começar no primeiro semestre de 2020, com duração prevista de 28 meses.

O cronograma começa a contar efetivamente após a assinatura da ordem de serviço, que deve acontecer até o final de setembro, segundo previsão da administração municipal. Com a ordem de serviço em mãos, a concessionária tem 30 dias para entregar todos seus planos e programas para o complexo, que inclui ginásio, piscina e quadras de tênis.

Depois de 31 dias, a concessionária começa a acompanhar a administração do estádio realizada pela prefeitura. No sexagésimo primeiro dia, a concessionária passa a tocar a administração do complexo, com acompanhamento da prefeitura. Após 91 dias, a gestão do Pacaembu passará a ser feita exclusivamente pela concessionária.

O consórcio venceu a concorrência pelo Pacaembu em fevereiro, quando ofereceu outorga fixa de R$ 115 milhões – a outorga mínima era de R$ 37 milhões, ou seja, houve ágio de 208%.

A gestão Covas calcula que, somando outorga fixa, outorga variável (1% sobre a receita bruta), economia de gastos ao longo dos 35 anos, investimentos a serem feitos no estádio e ganhos de ISS, a prefeitura terá ganhos de R$ 657 milhões com a concessão.

Nesta segunda, o prefeito tucano destacou as cifras e disse que o papel da prefeitura é “cuidar dos mais desamparados”.
“Muito além dos números, a concessão aponta para uma concepção do que faz o Poder Público. Por que a prefeitura precisa, em vez de terminar as obras de 12 CEUs pela cidade, investir em novos banheiros e novos refletores do Pacaembu? Por que a prefeitura deve deixar de investir para completar os dois hospitais que estão pela metade, em Parelheiros e Brasilândia, para fazer a reforma dos banheiros do Pacaembu?”, disse Covas.

“Por que não aconteceu a concessão por tantos anos? Ao conceder o Pacaembu, o poder público deixa de indicar o diretor do clube, deixa de fazer benesses com ingressos dos jogos, deixa de roubar no contrato de manutenção da grama, dos banheiros ou de qualquer outro tipo de contrato que seja feito que envolva recursos públicos”, completou o prefeito. “É preciso abrir mão de alguns bens para que a gente possa investir no essencial.”

De acordo com Mauro Ricardo, secretário municipal de Governo, o uso das áreas do complexo esportivo para atividades continuará exatamente como hoje, ou seja, aberto ao público e gratuito. Eduardo Barella, do consórcio, diz que a ideia é ampliar o número de atividades no complexo.

Segundo ele, o futebol deixará de ser atividade prioritária do Pacaembu. A receita da operação será composta também por shows, eventos, aluguel de espaços, estacionamento, entre outros. “Com a demolição do tobogã e a construção de uma nova edificação, vamos atrair para o complexo inúmeras outras receitas. Aluguel de espaço, estacionamento, venda de alimentos e bebidas. Futebol deixará de ser a principal receita, vai corresponder a 15% da nossa receita”, afirma Barella.

O empresário faz referência à intervenção mais significativa que acontecerá no estádio: a demolição do tobogã e a construção, em seu lugar, de um edifício que deverá abrigar uma gama de negócios diversos.

Esse edifício também terá uma passarela de ligação entre as ruas Itápolis e Desembargador Paulo Passalaqua, integrando-se assim à dinâmica de circulação de pedestres pelo bairro.

Também destaca-se no projeto do consórcio a criação de um centro de convenções no subsolo, onde poderão acontecer shows e outros eventos, como lutas de MMA e peças de teatro.