Sem visitas e banho de sol, Sérgio Cabral permanece preso em Curitiba

Preso na última quinta-feira (18), Cabral também não terá acesso a televisão nem rádio


POLÍTICA
Por equipe
Segunda, 22 de janeiro de 2018 às 12:26
O ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, está detido no Complexo Médico-Penal (CPM) de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e não terá direito a visitas e nem a banho de sol, de acordo com o Departamento Penitenciário do Paraná. Ele ficará sozinho em uma sala do complexo. Cabral também não terá acesso a televisão, nem rádio.

Cabral chegou a Curitiba na noite da última quinta-feira (18). Na manhã de sexta-feira (19), ele fez o exame de corpo de delito, no Instituto Médico-Legal de Curitiba (IML) e em seguida foi levado ao CPM de Pinhais. Quando ex-governador chegou ao IML não deu nenhuma declaração à imprensa, mas reclamou com os policiais federais por estar com algemas nos pés e nas mãos.

O local é um antigo manicômio judiciário que hoje abriga um hospital e um presídio para 659 pessoas. Há quem diga que a construção, vista do alto, parece um fuzil.

Mais do que a estrutura, porém, chamam a atenção os contrastes humanos. Há uma ala feminina com grávidas e presas que passam por algum tratamento, além das integrantes do “seguro”: mulheres juradas de morte, retiradas da penitenciária feminina após uma rebelião em março deste ano. E há as seis galerias de presos comuns.

As galerias 1 e 2 abrigam detentos com transtornos mentais, que Isabel chama carinhosamente de “louquinhos”. É o espaço mais mal cuidado do presídio, já que os ocupantes não costumam primar pela higiene pessoal e muito menos pela limpeza das celas. “Eu não faço isso, mas muitos põem um lenço no rosto para não sentir o cheiro”, conta a advogada.

Nas galerias 3 e 4 estão os “meio-a-meio”, alguns com problemas psíquicos causados ou agravados pelo uso abusivo de drogas. A galeria 5 é reservada a “presos especiais”: ex-policiais condenados.

Os presos da Operação Lava Jatos estão alocados na galeria 6.

Sérgio Cabral

Sérgio Cabral foi preso preventivamente em 17 de novembro de 2016, dentro da operação “Calicute”, resultado da ação coordenada entre as forças-tarefas da Lava Jato do Paraná e do Rio de Janeiro. Ele já foi condenado a 87 anos de prisão na Operação Lava Jato. No dia 10 de janeiro, a juíza substituta da 7ª Vara Criminal Federal do Rio Caroline Vieira Figueiredo abriu mais três ações penais contra o ex-governador, que passou a réu pela 20ª vez.

A transferência de Sérgio Cabral para a capital paranaense foi determinada pelo juiz federal Sérgio Moro, de Curitiba, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, e pela juíza substituta da 7a Vara Federal do Rio de Janeiro, Caroline Figueiredo, após o Ministério Público do Rio de Janeiro constatar que Sérgio Cabral tinha privilégios no sistema prisional fluminense.

O ex-governador ficará na mesma carceragem que o deputado cassado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-ministro Antônio Palocci.

Oliveira Jr.

Comando Sertanejo Educadora