Lula passa a madrugada no sindicato dos metalúrgicos do ABC após ordem de prisão

Ex-presidente tem até as 17h desta sexta-feira (6) para se entregar à Polícia Federal em Curitiba


POLÍTICA
Por equipe
Sexta, 06 de abril de 2018 às 09:45
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a noite desta quinta-feira e a madrugada de sexta (6) com lideranças do PT na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, após ter a ordem de prisão expedida pelo juiz federal Sérgio Moro.

Na ordem de prisão, o juiz determina que Lula se entregue até as 17h desta sexta à Polícia Federal em Curitiba. O juiz vetou o uso de algemas "em qualquer hipótese" (leia a íntegra da ordem de prisão de Lula). A defesa entrou com um pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para impedir a prisão do ex-presidente, alegando que ainda há recurso possível no TRF-4.

Se for preso, Lula começa a cumprir a pena de 12 anos e um mês de prisão após condenação em segunda instância no caso do triplex em Guarujá (SP). O Supremo Tribunal Federal negou nesta quarta-feira (4) um pedido de habeas corpus preventivo da defesa de Lula para que o ex-presidente só fosse preso após esgotados os recursos em todas as instâncias judiciais.

A madrugada de Lula no sindicato
Lula ficou sozinho entre 2h30 e 7h na sala da presidência do Sindicato dos Metalúrgicos, onde dormiu em um espaço privativo. O ex-presidente se levantou por volta de 7h30 e foi tomar café da manhã.

Além de Lula, estiveram no sindicato a ex-presidente Dilma Rousseff, o deputado Paulo Pimenta, o senador Lindbergh Farias, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho, os governadores Camilo Santana (Ceará) e Wellington Dias (Piauí), Guilherme Boulos, líder do MTST, e Wagner Santana, presidente do sindicato.

Do lado de fora, um grupo de manifestantes também passou a madrugada em frente à sede do sindicato em apoio a Lula.

Pouco antes de 1h, Lula cumprimentou os militantes que estavam no segundo andar do prédio do sindicato. Sua última aparição foi registrada às 2h, quando o ex-presidente acenou para apoiadores que permaneciam do lado de fora.

Um carro de som serviu de palco para que várias lideranças do PT e também de outros partidos de esquerda discursassem durante a noite.

O ato em defesa de Lula durou até por volta de 1h20, mas parte dos militantes permaneceu em frente ao sindicato em vigília durante a madrugada. Não houve registro de confusão.

O quarteirão foi isolado e segue vigiado por policiais e guardas civis.

Lula chegou às 19h10 à sede do sindicato, pouco tempo depois da notícia de que Moro havia expedido a ordem de prisão.

Em nota, a defesa do ex-presidente afirmou que o mandado de prisão contra o petista "contraria" decisão do TRF-4. Segundo a defesa, a prisão só poderia acontecer após esgotados os recursos no tribunal.

A defesa de Lula tinha até o dia 10 para apresentar os chamados "embargos dos embargos" no TRF-4. Porém, no despacho da ordem de prisão, Moro afirma que tais recursos são "patologia protelatória".

Antes de ir para a sede do sindicato, Lula participou, na tarde desta quinta, de uma reunião no Instituto Lula também com liderança do partido.

A senadora Gleisi Hoffmann criticou a decisão do STF de negar o habeas corpus a Lula, afirmando que parte dos ministros impediram "que o Tribunal cumprisse o seu papel de guardião da Constituição, retirando do presidente Lula o direito que a Constituição lhe resguarda de presunção da inocência".

Ela acrescentou que a prisão de Lula será uma violência e defendeu a inocência dele. "Consideramos uma prisão política. É uma prisão que vai expor o Brasil ao mundo. Viraremos uma republiqueta de bananas."

À noite, na sede do sindicato, Gleisi Hoffmann falou em "obsessão" de Moro em prender Lula. "Nós não temos outra causa a refutar essa decisão do juiz Sérgio Moro que não seja a sua obsessão, o seu ódio, o seu rancor em relação ao presidente Lula. Chega a ser doentio por parte do juiz não observar os prazos recursais que ainda temos diante do TRF-4", disse Gleisi.

Sindicato do Metalúrgicos e MTST
Mais cedo, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Wagner Santana, também tinha subido no carro de som. "A partir desta casa, dos companheiros do MTST, dos companheiros dos movimentos sociais, nós vamos dizer: ele não vai se entregar. Venham buscar. Nós estaremos esperando aqui", disse Santana.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) afirmou que o grupo deveria permanecer em vigília em frente ao sindicato. "Nós não vamos aceitar decisões ilegítimas. É por isso que a palavra de ordem hoje aqui é resistência. Estar ao lado do Lula hoje é estar do lado certo da história”, disse Guilherme Boulos.